Da segurança emocional à mudança concreta
Como a integração entre Winnicott e TCC acontece na prática clínica.
AUTORREGULAÇÃO EMOCIONAL


Falamos sobre por que integrar a teoria winnicottiana e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), agora avançamos para uma pergunta central para pacientes e profissionais:
como essa integração acontece, de fato, dentro do setting terapêutico?
Na prática clínica, essa abordagem não funciona como uma soma mecânica de técnicas, mas como um diálogo constante entre cuidado emocional e direção terapêutica.
O início do processo: antes de qualquer técnica, um ambiente seguro.
Inspirada na teoria de Donald Winnicott, a psicoterapia integrada começa pelo que muitas vezes é invisível, mas essencial:
a criação de um ambiente emocionalmente seguro.
Isso significa que, nas primeiras sessões, o foco não está em corrigir pensamentos ou modificar comportamentos, mas em:
• compreender o funcionamento emocional do paciente,
• respeitar seus ritmos,
• validar sua experiência subjetiva,
• oferecer um espaço em que ele possa existir sem defesas excessivas.
Esse holding terapêutico não é passividade.
É o que permite que o paciente baixe a vigilância, condição indispensável para qualquer mudança duradoura.
Quando o vínculo sustenta, a técnica ganha potência.
À medida que o paciente se sente mais seguro na relação terapêutica, a TCC passa a ser introduzida não como imposição, mas como recurso.
Nesse momento, o terapeuta pode:
• ajudar o paciente a identificar padrões automáticos de pensamento,
• explorar como emoções e comportamentos se organizam no dia a dia,
• propor experimentos comportamentais e estratégias de autorregulação.
O diferencial aqui é que essas intervenções não são aplicadas de forma protocolar.
Elas são calibradas ao estado emocional do paciente, respeitando sua história e suas fragilidades.
Assim, a técnica deixa de ser vivida como algo invasivo ou invalidante.
Emoção primeiro, cognição depois — mas sempre em diálogo
Um ponto central dessa integração é a compreensão de que nem todo sofrimento é resolvido apenas pela lógica.
Muitos pacientes sabem racionalmente que seus pensamentos são exagerados ou disfuncionais, mas continuam sofrendo.
Isso ocorre porque, antes da reorganização cognitiva, é preciso trabalhar:
• o medo de sentir,
• a vergonha,
• a insegurança relacional,
• a sensação de inadequação profunda.
A clínica winnicottiana oferece o espaço onde essas emoções podem emergir sem colapsar o paciente.
A TCC entra como uma aliada para organizar, nomear e transformar essas experiências em escolhas mais conscientes.
O papel ativo do paciente no processo terapêutico
Outro aspecto fundamental dessa integração é que o paciente não permanece apenas em posição interpretativa.
Ele passa a ser ativamente envolvido no processo de mudança, com tarefas, reflexões e pequenas experiências entre as sessões.
Autores contemporâneos da TCC, como Robert Leahy, enfatizam que a mudança ocorre quando o paciente:
• desenvolve novas formas de se relacionar com suas emoções,
• testa comportamentos alternativos,
• constrói uma relação mais flexível consigo mesmo.
Quando esse trabalho acontece sobre uma base relacional segura, o engajamento do paciente aumenta — e os resultados se tornam mais consistentes.
O terapeuta como presença e como guia
Nessa abordagem, o terapeuta não ocupa apenas o lugar de intérprete do inconsciente, nem apenas o de treinador de habilidades.
Ele transita entre dois papéis:
• presença emocional reguladora, que sustenta o paciente nos momentos difíceis;
• guia técnico, que ajuda a organizar o caminho da mudança.
Essa flexibilidade exige formação sólida, escuta refinada e clareza ética — mas oferece uma clínica profundamente viva e transformadora.
Mudanças que respeitam o tempo interno
A integração entre Winnicott e TCC não busca mudanças rápidas a qualquer custo.
Busca mudanças que façam sentido emocionalmente, que não rompam defesas antes da hora e que possam ser sustentadas ao longo do tempo.
O paciente começa a perceber:
• mais clareza emocional,
• maior capacidade de autorregulação,
• escolhas mais alinhadas com seu self,
• redução gradual de sintomas,
• e um sentimento crescente de autonomia.
Um caminho que prepara o terreno para resultados duradouros
Essa forma de trabalhar prepara o terreno para algo essencial, que será o foco do próximo artigo:
resultados terapêuticos que não são apenas percebidos, mas vividos.
Exploraremos:
• para quais tipos de sofrimento essa integração é especialmente indicada,
• como os resultados aparecem ao longo do tempo,
• e por que essa abordagem favorece mudanças profundas e sustentáveis.
Leia também:
Quando cuidado e técnica se encontram;
É possível manter o entusiasmo em relacionamentos de longo prazo? A ciência diz que sim.; Relacionamentos de longo prazo; Planejamento, metas e o início de 2026; Mindfulness na prática; Mindfulness; Mindfulness e autorregulação emocional;
Autorregulação Emocional: ninguém nasce sabendo, mas todo mundo pode aprender;
E a Terapia Hormonal? Uma Reflexão Moderna sobre o Climatério;
Menopositividade: uma nova visão sobre a menopausa;
Como vão os alicerces da sua casa?;
Quando o Estradiol Vai Embora: O Que Muda em Nós — e Como o Cérebro Feminino Se Reinventa; Menopausa e Cérebro: Uma Nova Dança Hormonal, Não um Fim de Linha
Acesse: www.dradanighorayeb.com.br
Endereço
Rua Santo Antonio, 191, sala 17
Cambuí, Campinas - SP
Email: dradbg@gmail.com


Todos os direitos autorais reservados 2025.
Designed by www.playart360.com
Horário de funcionamento
De segunda à sexta das 7 às 21h
Sábado das 8 às 13h
Telefone
(19) 99275-1665
@dradanighorayeb


