Resultados que se sustentam no tempo
Para quem e por que a integração entre Winnicott e TCC funciona tão bem.
AUTORREGULAÇÃO EMOCIONAL


Uma das perguntas mais frequentes feitas por pacientes que buscam psicoterapia é simples e profunda ao mesmo tempo:
“Isso vai realmente me ajudar a mudar?”
Ao longo dos dois primeiros artigos, vimos que a integração entre a teoria psicanalítica winnicottiana e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) cria um caminho terapêutico que alia profundidade emocional e direção prática.
Neste terceiro texto, o foco é compreender quais resultados essa abordagem favorece, para quais pessoas ela é especialmente indicada e por que as mudanças tendem a se manter ao longo do tempo.
Quando a psicoterapia deixa de ser apenas explicativa
Um dos limites de abordagens exclusivamente interpretativas é que, embora o paciente compreenda melhor sua história, ele pode continuar se sentindo paralisado diante da vida.
Por outro lado, intervenções excessivamente técnicas, quando aplicadas sem sustentação emocional, podem gerar mudanças superficiais ou pouco duráveis.
A integração entre Winnicott e TCC evita esses extremos.
A base relacional inspirada em Donald Winnicott permite que o paciente:
• sinta-se real dentro da relação terapêutica,
• desenvolva confiança emocional,
• experimente segurança suficiente para se expor e se transformar.
A TCC entra como um organizador da experiência, ajudando o paciente a transformar vivências emocionais em escolhas conscientes e ações possíveis no mundo real.
O resultado não é apenas insight — é movimento interno e externo.
Que tipo de mudança o paciente começa a perceber?
Pacientes que passam por um processo terapêutico integrativo costumam relatar mudanças progressivas e concretas, como:
• maior capacidade de identificar e regular emoções intensas,
• redução de sintomas de ansiedade e depressão,
• diminuição de padrões repetitivos de autocrítica e culpa,
• relações interpessoais mais autênticas e menos defensivas,
• aumento da sensação de autonomia e coerência interna.
Essas mudanças não surgem de forma abrupta, mas se constroem de dentro para fora, respeitando o tempo emocional de cada pessoa.
Para quais pacientes essa abordagem é especialmente indicada?
A psicoterapia que integra Winnicott e TCC é particularmente eficaz para pessoas que:
• apresentam histórico de falhas ambientais precoces
(invalidação emocional, negligência, relações inconsistentes);
• vivem conflitos recorrentes de identidade, autoestima e pertencimento;
• sofrem com ansiedade crônica, ruminação ou autocobrança excessiva;
• já passaram por outras terapias, mas sentiram que “entenderam tudo” sem conseguir mudar;
• desejam resultados práticos sem abrir mão de profundidade emocional.
Esses pacientes frequentemente precisam, antes de tudo, sentir-se seguros para existir, para só então aprender novas formas de pensar, sentir e agir.
Por que os resultados tendem a ser mais duradouros?
Mudanças terapêuticas se sustentam quando não são impostas de fora, mas internalizadas.
Isso acontece quando o paciente desenvolve recursos internos que continuam operando mesmo após o término da terapia.
Autores contemporâneos da TCC, como Robert Leahy, destacam que a mudança duradoura ocorre quando o paciente aprende a se relacionar de forma mais flexível com suas emoções — e não apenas a controlá-las ou evitá-las.
Quando esse aprendizado acontece dentro de um vínculo terapêutico seguro, ele deixa de ser apenas técnico e passa a ser emocionalmente integrado.
O paciente não apenas aplica estratégias — ele se transforma na forma como se percebe e se cuida.
Psicoterapia como experiência viva, não como protocolo
Essa integração não busca enquadrar o paciente em modelos rígidos.
Ao contrário, ela respeita a singularidade de cada história, utilizando técnicas como ferramentas — e não como fins em si mesmas.
A psicoterapia torna-se um espaço onde:
• o sofrimento é acolhido,
• os padrões são compreendidos,
• e novas possibilidades de existência são construídas de forma gradual e realista.
Conclusão: profundidade com direção
Integrar Winnicott e TCC é reconhecer que cuidar do emocional e promover mudança concreta não são objetivos opostos.
São dimensões complementares de um mesmo processo terapêutico.
Essa abordagem oferece ao paciente algo raro e precioso:
um espaço onde ele pode ser quem é — e, ao mesmo tempo, tornar-se quem deseja ser.
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